| No início do trilho entre Odeceixe e Aljezur passamos por belos momentos. |
As gaivotas passavam perto de mim, como que me premiando pela ousadia de caminhar, pela ousadia de subir, pela ousadia de ser una com a natureza.
Depois destes quilómetros iniciais muito belos, o trilho perde o interesse. Estradão. Na vila de Rogil, parei no supermercado para comprar uma água e um bolo, e o caminho permaneceu desinteressante, num estradão aberto, onde se caminha com facilidade, mas sem o deleite das vistas únicas e do piso autêntico.
Cheguei ao Camping Serrão, perto de Aljezur, por volta das 13h. É um parque de campismo agradável, como têm sido todos, aliás. Uma recepcionista muito simpática, que me disse que ali trabalha há mais de 16 anos, de naturalidade alemã, salvo erro. Encontrei o meu cantinho entre as árvores, não muito distante de uns balneários. Montei a tenda, lavei a roupa suja num tanque, à moda antiga, estendi-a num estendal improvisado entre a tenda e o tronco generoso de um pinheiro. Depois, fui à vila.
Do parque de campismo até à vila é ainda um caminho bastante longo, de cerca de 3 quilómetros, ou mais. Fui à Igreja da Misericórdia, deambulei pela ruelas, fui comprar o jantar ao Intermarché, e regressei para o parque. Se não houvesse tantos estrangeiros nesta vila, não sei como estaria, se calhar negligenciada, entre as ruínas criadas pela sua distância. Em vez disso, vemos uma vibrante pequena vila, a fervilhar de cultura e de energia.
Devemos contrariar o instinto primitivo, do nosso cérebro reptiliano dos tempos da sobrevivência na selva, quando se indigna, inflamado, guinchando "O Algarve já não é Portugal! Só há estrangeiros!" Melhor assim, que já não seja nosso, porque, infelizmente, nós não saberíamos valorizá-lo e revigorá-lo como o fazem os forasteiros.





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